O Vasco e o empresário Marcos Lamacchia estão aguardando a autorização da Justiça para dar continuidade ao processo de venda da SAF do clube. A negociação depende da liberação judicial para a abertura de um processo competitivo, conforme afirmado por Lamacchia.
A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, é a responsável pela decisão. Nos bastidores do clube, há um entendimento de que a autorização poderia ter sido concedida anteriormente. A demora na decisão judicial, mesmo com pareceres favoráveis do Ministério Público e da administração judicial, é um ponto de questionamento para as partes envolvidas.
Processo de aquisição e entraves judiciais
O Vasco e Marcos Lamacchia já solicitaram diversas vezes à Justiça a abertura do processo competitivo. A juíza havia pedido os pareceres do Ministério Público, da administração judicial e do gatekeeper, sendo que este último ainda não se manifestou. O gatekeeper é uma função de fiscalização e monitoramento nomeada pela Justiça no processo de recuperação judicial do Vasco, exercida pelo ex-procurador-geral de Justiça Eduardo Gussem.
A proposta concreta da Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, serve como referência mínima para o processo competitivo. Esta proposta foi apresentada no âmbito da recuperação judicial do clube e prevê um investimento superior a R$ 2 bilhões para a aquisição de 90% das ações da SAF do Vasco. A próxima etapa seria a abertura da disputa pela UPI Equity.
Outros interessados poderão apresentar propostas e, caso uma oferta superior seja feita, Lamacchia terá a opção de igualar a maior oferta. Se nenhuma outra proposta vencedora for apresentada por terceiros, a oferta de Lamacchia será declarada vencedora. Após essa etapa, o processo ainda precisará passar pela aprovação do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral do Vasco.
O principal obstáculo atual é a autorização judicial para o início do processo competitivo. O Vasco acredita que, com a autorização e a conclusão da venda, não seria necessário buscar novos empréstimos, que também foram bloqueados pela juíza.
Contexto e expectativas em São Januário
Em meio a essa espera, Marcos Lamacchia tem se aproximado do clube. Ele foi visto no Nubank Parque acompanhando a partida entre Vasco e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Vestindo uma camisa do clube carioca, o empresário reforçou sua intenção de “transformar o Vasco”.
A presença de Lamacchia ao lado de sua madrasta, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e do diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, gerou discussões. A família de Leila Pereira é mencionada em relação ao uso do Palmeiras como um modelo de sucesso para o Vasco. A aprovação da compra por Lamacchia depende também do entendimento das autoridades de que não há conflito de interesse, considerando o patrocínio da Crefisa ao Palmeiras e o mandato de Leila Pereira à frente do clube paulista até 2027.
O Vasco, que ocupa a vice-lanterna do Brasileirão e vem de uma derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, busca uma solução para sua situação. O clube não conquista o Campeonato Carioca há 10 anos, e seu último título brasileiro foi há 26 anos. A última Libertadores foi há 28 anos. Neste milênio, o clube conquistou três estaduais, uma Série B em 2009 e uma Copa do Brasil em 2011, além de ter sofrido quatro rebaixamentos.
Apesar do histórico recente, o Vasco mantém a quinta maior torcida do país. A expectativa em torno da venda da SAF é grande, especialmente após a saída da 777. A conclusão da operação, no entanto, ainda depende do andamento do processo judicial e do cumprimento das etapas previstas para a venda da SAF.
Source: ge.globo.com